Centrais de gás

Em Portugal existem quatro centrais de ciclo combinado, que devem ser fechadas nas próximas décadas. O governo e as empresas que detêm estas centrais devem realizar formações profissionais nas áreas de energias renováveis dirigidas aos trabalhadores destas centrais. Preparar os trabalhadores é o primeiro passo para a transição.As centrais de ciclo combinado são apresentadas como parte da transição do carvão para fontes renováveis de eletricidade, enquanto complemento e segurança das últimas, dada a sua produção variável e irregular das renováveis no tempo. Mas, na realidade, não se verificam diferenças significativas entre o carvão e o gás nem no equilíbrio da rede eléctrica, nem na redução de emissões de gases com efeito de estufa.

As centrais de ciclo combinado em Portugal estão correntemente a funcionar muito pouco. Isto não impede a EDP, Endesa e a REN, tal como o governo, de elogiar as suas qualidades e a sua importância vital para o sistema elétrico. E pretendem, na verdade, aumentar ainda mais o número de centrais no sistema eléctrico já sobredimensionado face ao consumo real de energia.Os discursos e roteiros políticos de descarbonização da economia não passam hoje de palavras, sem implicações reais, contemplando um futuro longínquo, em qualquer caso fora da janela temporal de ação política de quem os propõe. Por esta razão, estas propostas de descarbonização não envolvem qualquer planificação nem preparação concretas.Precisamos de plano de transição energética justa na próxima década, que reduza significativamente as emissões de gases com efeito de estufa, incluindo as provenientes do gás fóssil.