Gás “Natural” é metano: a ciência explica

 

As emissões de metano estão a aumentar e contribuem para o aquecimento global.  

 

 

Por que é que o gás natural não é um combustível de transição  

 

Quando o gás natural é queimado, produz menos CO2 do que os outros combustíveis fósseis. É por isso que foi rotulado como “combustível fóssil limpo”. No entanto, há um elemento crucial que é necessário ser levado em consideração: ao longo da cadeia de fornecimento, desde a extracção à distribuição, ocorrem fugas de gás.  

Este denominado gás “natural” consiste em cerca de 90% de metano, que possui uma capacidade de aquecimento global 86 vezes maior que o CO2 nos primeiros 20 anos após a sua libertação na atmosfera. As fugas de metano podem atingir 10,1% (gás não convencional) e 5,96% (gás convencional) durante o processo de extracção e transporte. Uma vez no navio-tanque de metano, as perdas podem atingir os 0,25%, por dia de transporte.  

Uma série de estudos mostrou que a quantidade total de emissões de metano, no seu ciclo de vida, não compensa o CO2 que seria evitado ao se mudar da geração de eletricidade de carvão para gás. Esses números mostram que uma mudança para gás natural não seria benéfica para o clima, nem atingiríamos a meta internacionalmente acordada de permanecer abaixo de um aumento de 2°C na temperatura global.  

Além disso, à medida que a procura de gás está a cair, há um alto risco de que a nova infraestrutura de gás se torne um ativo obsoleto. Como a UE apoia projectos como estes através  de parcerias público-privadas (PPP) e assumindo o risco, isto significa que é o sector público (e, portanto, o contribuinte) que paga a conta se o projecto não se revelar lucrativo.  

Em conclusão, o gás não é um combustível de transição. Ao permitir a construção de novas infraestruturas de gás, a UE está a forçar os seus cidadãos a outras décadas de dependência desnecessária de combustíveis fósseis e a investir em activos de risco que desviam o dinheiro de um futuro mais limpo.  

 

Emissões de metano

A linha verde de “Referência” mostra o aquecimento previsto com as emissões atuais. A linha roxa “Medidas de CO2” (a roxo) indica que o aquecimento continuará por várias décadas, mesmo que as emissões de CO2 sejam reduzidas agora. A linha azul “Medidas de CH4 e carbono negro (BC)” mostra que a redução de emissões de metano e carbono negro (que resulta da combustão incompleta de combustíveis) pode retardar imediatamente o aquecimento global. O melhor resultado é observado na linha lilás, quando as emissões de metano e dióxido de carbono, são reduzidas, juntamente com medidas relativas a carbono negro (“Medidas de CO2 + CH4 + BC”). Fonte: Shindell et al. 2012, Science 335: 183-189)

Tanto as emissões diretas de dióxido de carbono, quanto as de metano não queimado, expressas em equivalentes a dióxido de carbono e em unidade de energia produzida. Para cada combustível, é usada a melhor estimativa para as emissões de metano. O metano é comparado ao dióxido de carbono por um período de 20 anos após a emissão na atmosfera. As barras verticais ilustram a gama provável de valores para gás de xisto e gás convencional. Fonte: Howarth 2015, Energy & Emission Control Technologies.

As imagens indicam que o aumento se deve principalmente ao aumento das emissões nos campos de gás de xisto e petróleo dos EUA entre 2006-2008 e 2009-2001. Fonte: Schneising et al. 2014, Remote sensing of fugitive methane emissions from oil and gas production in North American tight geologic formations. Earth’s Future 2: 548-558.

As imagens de satélite mostram a concentração de metano geograficamente ao longo do tempo, com cores mais quentes a indicar concentrações mais altas. Os dados evidenciam um aumento global de metano ao longo do tempo desde 2008, particularmente no Hemisfério Norte (à direita; 0 é o equador, 1 e -1 são os pólos). Fonte: Schneising et al 2014, Remote sensing of fugitive methane emissions.  

 

 

[tradução de texto de gastivists.org]