Com uma interpretação distópica, Galp faz “transição” de combustíveis fósseis para… combustíveis fósseis

Para termos alguma hipótese de nos mantermos num planeta que pode sustentar a civilização como a conhecemos, precisamos que as emissões de CO2 deixem de existir em 2030. Para isto, temos de desmantelar toda a indústria de combustíveis fósseis, para uma transição para energias renováveis.

A Galp, por sua vez, quer duplicar a sua produção de petróleo e gás no Brasil, Angola e Moçambique, até 2030. É mais ou menos razoável ver uma empresa multinacional com um modelo psicopático de negócio aumentar a sua actividade destrutiva mesmo sabendo toda a ciência climática.

Num salto lógico que faz lembrar o Ministério da Verdade do George Orwell, a Galp defende que está a liderar uma transição energética por estar a investir em projectos de gás fóssil.

O gás dito “natural” é 90% metano, um gás com efeito de estufa 30 a 80 vezes mais forte que CO2, e não é mais natural ou menos natural do que outros gases como oxigénio, azoto ou hélio. Por isso, nós achamos melhor chamar este combustível “gás fóssil”.

A emergência climática exige que todas as infraestruturas de gás fóssil – como de petróleo ou de carvão – estejam encerradas até 2030. A sobrevivência da humanidade depende disto.

Ao mesmo tempo, a Galp anuncia com um ar vitorioso que vai investir centenas de milhões em projectos de gás fóssil e que vai fazer isso por uma questão de “transição energética”. Aliás, nesse discurso, o gás fóssil é apresentado como parte da economia verde, acompanhando as energias renováveis.

Nós até podemos compreender o delírio da indústria fóssil de tentar conciliar a sua existência com o seu desmantelamento. Contudo, será difícil enganar a física e a química trocando os significados das palavras. O gás fóssil é um combustível fóssil, é para desaparecer (e, por amor do Dinheiro, não para investir ainda mais!), e a única transição que o gás permite é uma transição para um inferno terrestre.

A Galp tem de cair.

Precisamos de construir uma democracia energética pública e 100% renovável, ao serviço de todas as pessoas.

Hoje, 24 abril, foi um dia de ação contra a Galp. Sob o lema “Galp Must Fall” vários coletivos – incluindo a Academia Cidadã, Climáximo, Greve Climática Estudantil, Linha Vermelha e Mov. Centro contra Exploração de Gás – organizaram uma série de iniciativas online e offline, incluindo uma manifestação online e a contestação da Assembleia Geral Anual de acionistas da Galp, defendendo o desmantelamento e nacionalização da patrolífera.

Fonte: https://galpmustfall.climaximo.pt/